Eu nunca soube dizer o que mais gostava nela.
Nascida debaixo das asas das estrelas de Escorpião, eu não
conseguia trocar mais que três palavras com ela sem que houvesse algum tipo de
provocação.
Não me entenda mal, querido leitor, nossas provocações não
tinham segundas intenções... Ok, na
maior parte das vezes, mas não em todas elas.
Eu adorava seus olhos, muito mais expressivos do que eu sei
que ela gostaria. Eu adorava seu sorriso, que na maioria do tempo, era puro
sarcasmo.
Eu adorava seu caráter... Ou a falta dele... Ou sua presença
na ausência, porque ela era uma das pessoas mais confiáveis que eu sabia
conhecer.
Eu adorava o modo como ela falava comigo. Eu adorava o modo
como ela falava com as outras pessoas. Eu adorava o modo dela de falar.
Ela estava dentro da minha cabeça. Conhecia e lidava com o
meu comportamento de uma maneira única e exclusivamente sua e única e
exclusivamente minha. Mais precisa, ela não poderia ser.
Eu nunca soube dizer o que eu gostava mais nela.
Me mandava calar a boca e eu o fazia com o estômago gelado.
Meu orgulho ferido de uma maneira deliciosa em submissão pura e simples.
Ninguém me mandara calar até então... E ela fazia tão fácil que eu
chegava a arrepiar.
“Sou pra namorar”, ela me disse em meio a lençóis de cetim,
esparramada sobre meu peito. Disse e eu cheguei a me escutar apaixonando. Da
maneira mais ridícula e infantil possível. Eu estava perdida desde o começo,
sempre soube disso. Mas eu ainda não tinha compreendido as dimensões do meu
sem-norte antes daquela noite.
Minha valência foi posta em questão tantas vezes que eu perdi
as contas.
Me importava? Não muito. De uma maneira ou de outra, éramos
mais parecidas do que eu sabia que ela gostaria que fôssemos... E eu sempre
soube que nunca vali muita coisa mesmo.
Eu nunca soube dizer o que eu mais gostava nela.
A recíproca da ideia de posse nunca foi verdadeira. Eu
sempre estive em suas mãos, mas ela era livre. Sempre seria livre.
Eu nunca soube dizer o que eu mais gostava nela.
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