Ele.
Dança sorrindo, simplesmente porque é divertido.
Senhor de si, senhor do palco, senhor principalmente da catarse que ele sabe que provoca.
Usa a música e usa-se sem pudor e sem receios.
Sabe quem é. Sabe o que é. Sabe onde está e sabe onde quer chegar, onde vai chegar.
Diverte-se e diverte-nos. O amor que transpassa os movimentos contados e sincronizados chegando a ser quase palpável. Gosta do que faz e faz o que gosta.
Toda a força da paixão em seu estado mais puro e simples demonstrada da forma mais subjetiva possível: através do próprio corpo.
Ela.
Levada pela música como se leva uma criança pela mão, deixa de ser apenas uma intérprete para ser a própria música em carne, ossos e sentimentos.
É como se abandonasse o próprio corpo, como se passasse a ser apenas notas e acordes musicais. A melodia se liquefaz e toma a forma rubra de seu sangue.
Não sei se é a música que toma suas formas de mulher ou se é ela quem se transforma na música. Não sei identificar os limites entre as duas coisas.
Talvez exatamente porque não exista esse limite

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