só de brincadeirinha...

Miss Storm, ao seu dispor.


Eu me lembro de uma época em que achava que as pessoas tinham que ser perfeitas. Que os meus pais tinham que ser perfeitos, que os meus amigos tinham que ser perfeitos, que a minha família tinha que ser perfeita.
Peço por favor, que você, querido leitor, não me julgue.
Os anos eram poucos e a minha história de vida também era. Não que eu tenha crescido lá tanto assim. Muitas vezes eu me pego querendo me jogar no chão e espernear simplesmente porque as coisas não são como eu queria que fossem, não dão os resultados que eu esperava que dessem. O que acontece é que espernear e gritar e fazer um escândalo é infinitas vezes mais fácil do que repensar todo um plano, toda uma estratégia. Mais fácil que buscar novos objetivos, melhor ainda, é mais fácil que achar um sentido para esses objetivos. E é nessas horas em que eu vejo o quão infantil eu ainda sou.
Aprender a olhar a vida com outros olhos, olhos menos dramáticos e mais realistas, é realmente muito complicado. Já ouvi infinitas vezes que crescer dói. Hoje eu vejo que não é crescer que dói, o que dói de verdade é quando você olha para certa situação e não a encontra tão grande como você costumava achar que ela era.
Olhar para aquele primeiro amor, ainda nos tempos da escola, e encarar os fatos de que você perdeu um tempo valioso enquanto divagava no quanto sua vida é difícil e o universo é injusto com você é muito mais difícil do que culpar o objeto desse afeto por simplesmente não reconhecer o quão grande é esse tal amor ou não ser capaz de te corresponder do jeito que você espera (veja bem, o jeito que VOCÊ espera) ser correspondido.
Culpar seus pais por não serem perfeitos é muito mais fácil do que enxergar que eles fazem o melhor que podem, o melhor que sabem fazer, e que muitas vezes, enquanto você aprende a ser filho de alguém, esse mesmo alguém também está aprendendo a ser um pai.
É aqui que dói. Quando você aprende que a culpa por você sair terrivelmente machucado de alguma situação é única e exclusivamente sua e das suas expectativas. Você aprende que o que o mundo não vai parar nunca por sua causa e você não pode simplesmente esperar o  tempo que o seu coração precisa pra se recompor.
Quando você finalmente entende tudo isso, as pessoas dizem que você cresceu. Eu gosto de pensar que você simplesmente abriu os olhos. Abriu os olhos e viu que se as coisas não fossem do jeito que são, talvez você não fosse como é. Você não seria você.
Se aquele seu amigo não fosse tão chato, discutir com ele não seria tão legal quando o time dele perde pro seu. Se aquele seu amigo não fosse tão idiota, não seria tão legal sair por aí com um pouco de cachaça na cabeça pensando em absolutamente nada e rindo de absolutamente tudo. Se aquele seu amigo não fosse tão implicante, talvez não seria tão legal vestir alguma coisa só pra ele falar mal e você dizer que veste o que quer, quando quer, como quer e que ele que vá pro inferno. Se o seu pai não fosse tão rígido, você teria problemas pra lidar com o mercado de trabalho e com aquela coisa que chamam de hierarquia.
As pessoas não são perfeitas e é perfeito que seja assim.
Veja bem, se fosse para sermos perfeitos, seríamos uma equação matemática, uma fórmula de física ou alguma coisa do gênero. Não seres de humanas.

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